IPVA em 12 meses

Já não é de hoje que o transito no Brasil tem trazido diversas conseqüências aos brasileiros. Nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, congestionamentos gigantescos diariamente levam o motorista a um nível de estresse muito elevado. 

Nesse aspecto defendo uma mudança nos horários de entrada e saída dos trabalhadores nos comércios, nas indústrias e nas empresas como de 7 às 17h, 8 às 18h e possivelmente de 9 às 19h inclusive nos colégios, criando assim horários diferentes para as pessoas saírem de casa e seu retorno.

Com ações como essas o estresse no trânsito seria diminuido. Porém, vários outros problemas tem elevado o nível de estresse do motorista no Brasil. Só para citar alguns: Desde que o novo código de trânsito entrou em vigor há dez anos, o motorista tem sido penalizado de forma arbitraria. Participo de seminários e debates sobre trânsito e sempre defendo a idéia de que o código de trânsito foi instituído para prevenir e educar, mas não é o que se vê na prática. O cidadão tem sido punido severamente e com outras finalidades que não as acima citadas. Prova disso é o que a mídia apelidou de indústria das multas. Aplicadas, por vezes, por guardas de trânsito sem noção nenhuma de legislação como vem ocorrendo na cidade de Niterói e até mesmo na capital do estado. Como representante da categoria, lembro-me de quando a Polícia Militar tinha tal incumbência. Havia, pasmem, mais organização e respeito com o motorista. Além disso, o trânsito fluía melhor.

Observamos ainda como o motorista é penalizado por não ter acesso aos mecanismos de recurso das multas. Assim sendo, não tendo sua defesa aceita. Sem contar as inúmeras irregularidades já aferidas em equipamentos  eletrônicos à serviço dessa indústria espúria. Proponho uma consulta popular que demonstre de imediato o nível de insatisfação do motorista comum em relação aos órgãos de trânsito e seus dirigentes.

Não proponho a impunidade. Mas defendo, nas campanhas da Associação Brasileira de Motoristas (ABM), que sejam feitas campanhas de conscientização. Nosso lema é "Motorista consciente não é imprudente!". Propomos também a volta dos vigilantes rodoviários, um relatório periódico que mostre ao cidadão onde está sendo destinado o dinheiro das multas que ele paga. Defendo também que, o IPVA (no caso do Rio um dos mais caros do país), seja pago da mesma forma que o IPTU, ou seja, em até 12 prestações. Além disso, é preciso que haja urgente um plano de parcelamento mais amplo para os motoristas inadimplentes evitando assim a apreensão de milhares de veículos, que de fato são bens adquiridos com sacrifícios e que, na maioria dos casos, são confiscados pelo Estado.

 

Antônio Carlos da Costa
Presidente da Associação Brasileira de Motoristas (ABM)



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